quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Beatos Jacinta e Francisco Marto, mensageiros de Na. Sra. de Fátima – 20 de fevereiro



     “Rezem, rezem muito e façam sacrifícios pelos pecadores, pois muitas almas vão ao inferno porque não há quem se sacrifique e peça por elas”, foi o que pediu a Virgem de Fátima a Lúcia, Francisco e Jacinta. E, neste dia 20 de fevereiro, a Igreja recorda a memória de dois desses videntes, os Beatos Francisco e Jacinta.
     Francisco nasceu em 1908 e Jacinta, dois anos depois. Desde pequenos aprenderam a tomar cuidado com as más companhias e, por isso, preferiam estar com sua prima Lúcia, que lhes falava sobre Jesus. Os três cuidavam das ovelhas, brincavam e rezavam juntos.
     De 13 de maio a 13 de outubro de 1917, a Virgem lhes apareceu em várias ocasiões na Cova de Iria (Portugal). As três crianças suportaram com valentia as calúnias, injúrias, más interpretações, perseguições e a prisão. Eles diziam: “Se nos matarem, não importa, vamos ao céu”.
     Logo depois das aparições, as crianças seguiram sua vida normal. Lúcia foi para a escola, tal como pediu a Virgem, e era acompanhada por Jacinta e Francisco. No caminho, passavam pela Igreja e saudavam Jesus Eucarístico.
     Francisco, sabendo que não viveria muito tempo, dizia a Lúcia: “Vão vocês ao colégio, eu ficarei aqui com o Jesus Escondido”. À saída do colégio, as meninas o encontravam o mais perto possível do Tabernáculo e em recolhimento.
     O pequeno Francisco era o mais contemplativo e queria consolar a Deus, tão ofendido pelos pecados da humanidade. Em uma ocasião, Lúcia lhe perguntou: “Francisco, o que prefere, consolar o Senhor ou converter os pecadores?”.
     Ele respondeu: “Eu prefiro consolar o Senhor. Não viu que triste estava Nossa Senhora quando nos disse que os homens não devem ofender mais o Senhor, que já está tão ofendido? Eu gostaria de consolar o Senhor e, depois, converter os pecadores para que eles não ofendam mais ao Senhor”. E continuou: “Logo estarei no céu. E quando chegar, vou consolar muito Nosso Senhor e Nossa Senhora”.
     Jacinta assistia diariamente a Santa Missa e tinha grande desejo de receber a Comunhão em reparação dos pobres pecadores. Atraía-lhe muito estar com Jesus Sacramentado. “Quanto amo estar aqui, é tanto o que lhe tenho que dizer a Jesus”, repetia.
     Certo dia, pouco depois da 4ª aparição, Jacinta encontrou uma corda e concordaram reparti-la em três e colocá-la na cintura, sobre a carne, como sacrifício. Isto os fazia sofrer muito, contaria Lúcia depois. A Virgem lhes disse que Jesus estava muito contente com seus sacrifícios, mas que não queria que dormissem com a corda. Assim o fizeram.
     A Jacinta, concedeu-lhe a visão de ver os sofrimentos do Sumo Pontífice. “Eu o vi em uma casa muito grande, ajoelhado, com o rosto entre as mãos, e chorava. Fora, havia muita gente; alguns atiravam pedras, outros diziam imprecações e palavrões”, contou ela.
     Por isso e outros feitos, as crianças tinham presente o Santo Padre e ofereciam três Ave-Marias por ele depois de cada Rosário. Do mesmo modo, as famílias iam a eles para que intercedessem por seus problemas.
     Em uma ocasião, uma mãe rogou a Jacinta que pedisse por seu filho que se foi como o filho pródigo. Dias depois, o jovem retornou para casa, pediu perdão e contou a sua família que depois de ter gasto tudo o que tinha, roubado e estado no cárcere, fugiu para uns bosques desconhecidos.
     Quando se achou completamente perdido, ajoelhou-se chorando e rezou. Nisso, viu Jacinta que o pegou pela mão e o conduziu até um caminho. Assim, pôde retornar para casa. Logo interrogaram Jacinta se tinha se encontrado com o moço e ela disse que não, mas que sim, tinha rogado muito à Virgem por ele.
     Em 23 de dezembro de 1918, Francisco e Jacinta adoeceram de uma terrível epidemia de bronco-pneumonia. Francisco foi piorando pouco a pouco durante os meses posteriores. Pediu para receber a Primeira Comunhão e, para isso, confessou-se e guardou jejum. Recebeu-a com grande lucidez e piedade. Depois, pediu perdão a todos.
     “Eu vou ao Paraíso, mas de lá pedirei muito a Jesus e à Virgem para que lhes leve também logo lá em cima”, disse para Lúcia e Jacinta. No dia seguinte, em 4 de abril de 1919, faleceu com um sorriso angelical.
     Jacinta sofreu muito com a morte do irmão. Mais tarde, sua enfermidade se complicou. Foi levada ao hospital da Vila Nova, mas retornou para casa com uma chaga no peito. Logo confiaria a sua prima: “Sofro muito, mas ofereço tudo pela conversão dos pecadores e para desagravar o Coração Imaculado da Maria”.
     Antes de ser levada ao hospital de Lisboa disse a Lúcia: “Já falta pouco para ir ao céu… Diz a toda a gente que Deus nos concede as graças por meio do Coração Imaculado de Maria. Que as peçam a Ela, que o Coração de Jesus quer que ao seu lado se venere o Imaculado Coração da Maria, que peçam a paz ao Imaculado Coração, que Deus a confiou a Ela”.
     Operaram Jacinta, tiraram-lhe duas costelas do lado esquerdo e ficou uma grande chaga como de uma mão. As dores eram espantosas, mas ela invocava a Virgem e oferecia suas dores pela conversão dos pecadores.
     Em 20 de fevereiro de 1920, pediu os últimos Sacramentos, confessou-se e rogou que lhe trouxessem o Viático, porque logo morreria. Pouco depois faleceu; tinha apenas dez anos de idade.
     Os corpos do Francisco e Jacinta foram transladados ao Santuário de Fátima. Quando abriram o sepulcro de Francisco, viram que o Rosário que lhe colocaram sobre seu peito estava envolvido entre os dedos de suas mãos. Quanto ao corpo de Jacinta, 15 anos depois de sua morte estava incorrupto.
     No dia 13 de maio de 2000, o Papa João Paulo II esteve em Fátima, e do ‘Altar do Mundo’ beatificou Francisco e Jacinta, os mais jovens beatos cristãos não mártires.

Aparições particulares a Jacinta
Jacinta vê o Santo Padre
     Lúcia assim relata na sua Terceira Memória:
     Um dia, fomos passar as horas da sesta para junto do poço de meus pais. A Jacinta sentou-se nas lajes do poço; o Francisco, comigo, foi procurar o mel silvestre nas silvas dum silvado duma ribanceira que aí havia.
     Passado um pouco de tempo, a Jacinta chama por mim:
     – Não viste o Santo Padre? – Não! – Não sei como foi! Eu vi o Santo Padre em uma casa muito grande, de joelhos, diante de uma mesa, com as mãos na cara, a chorar. Fora da casa estava muita gente e uns atiravam-Ihe pedras, outros rogavam-lhe pragas e diziam-lhe muitas palavras feias. Coitadinho do Santo Padre! Temos que pedir muito por Ele.
     Em outra ocasião, fomos para a Lapa do Cabeço. Chegados aí, prostramo-nos por terra, a rezar as orações do Anjo.
     Passado algum tempo, a Jacinta ergue-se e chama por mim:
     – Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente, a chorar com fome, e não têm nada para comer? E o Santo Padre em uma igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com Ele?
Visões da guerra
     Um dia fui a sua casa, para estar um pouco com ela. Encontrei-a sentada na cama, muito pensativa.
     – Jacinta, que estás a pensar? – Na guerra que há-de vir. Há-de morrer tanta gente! E vai quase toda para o inferno! Hão-de ser arrasadas muitas casas e mortos muitos padres (tratava-se da 2ª. Guerra Mundial). Olha: eu vou para o Céu. E tu, quando vires, de noite, essa luz que aquela Senhora disse que vem antes, foge para lá também!
     – Não vês que para o Céu não se pode fugir?
     – É verdade! Não podes. Mas não tenhas medo! Eu, no Céu, hei-de pedir muito por ti, por o Santo Padre, por Portugal, para que a guerra não venha para cá, e por todos os sacerdotes.
Visitas de Nossa Senhora

     A 23 de dezembro de 1918, Francisco e Jacinta adoeceram ao mesmo tempo. Indo visitá-los, Lúcia encontrou Jacinta no auge da alegria.
     Na sua Primeira Memória, Lúcia conta:
     Um dia mandou-me chamar: que fosse junto dela depressa. Lá fui, correndo.
     – Nossa Senhora veio-nos ver e diz que vem buscar o Francisco muito breve para o Céu. E a mim perguntou-me se queria ainda converter mais pecadores. Disse-Lhe que sim. Disse-me que ia para um hospital, que lá sofreria muito; que sofresse pela conversão dos pecadores, em reparação dos pecados contra o Imaculado Coração de Maria e por amor de Jesus. Perguntei se tu ias comigo. Disse que não. Isto é o que me custa mais. Disse que ia minha mãe levar-me e, depois, fico lá sozinha!
     Em fins de dezembro de 1919, de novo a Santíssima Virgem se dignou visitar a Jacinta para Ihe anunciar novas cruzes e sacrifícios. Deu-me a notícia e dizia-me:
     – Disse-me que vou para Lisboa, para outro hospital; que não te torno a ver, nem os meus pais; que, depois de sofrer muito, morro sozinha, mas que não tenha medo; que me vai lá Ela buscar para o Céu.
     Durante a sua permanência de 18 dias no hospital em Lisboa, Jacinta foi favorecida com novas visitas de Nossa Senhora, que lhe anunciou o dia e a hora em que haveria de morrer.
     Quatro dias antes de a levar para o Céu, a Santíssima Virgem tirou-lhe todas as dores. Nas vésperas da sua morte, alguém lhe perguntou se queria ver a mãe, ao que ela respondeu:
     - A minha família durará pouco tempo e em breve se encontrarão no Céu… Nossa Senhora aparecerá outra vez, mas não a mim, porque com certeza morro, como Ela me disse.

Fontes:

Venerável Ana de Guigné - 14 de janeiro

Uma tão grande alma para uma menina tão pequena 
    
     “Temos muitas alegrias na terra, mas duram pouco; a que permanece é a de ter realizado um sacrifício”. Palavras ditas por uma criança que viveu pouco mais de 10 anos! O intenso amor a Deus e aos outros dava aos seus sacrifícios um elevado valor sobrenatural. “Nada custa quando O amamos”, dizia ela, pensando na conversão dos pecadores e alívio dos doentes.
     A Venerável Ana de Guigné, a mais velha de quarto irmãos, nasceu em 25 de abril de 1911, em Annecy (Alpes franceses). Seu pai era o Conde Jacques de Guigné e sua mãe Antonieta de Charette. O Conde era tenente do 13º. Batalhão, Chambéry de Chasseurs Alpins. A avó materna de Ana Francisca Eulália Maria Madalena de Bourbon-Busset era uma descendente direta do sexto filho do Rei São Luís IX de França. A mãe de Ana era sobrinha neta do General François de Charette, um dos líderes da contra-revolução da Vendeia.
     Quando Jacques (Jojo) nasceu 15 meses depois de Ana, esta ficou enciumada, jogava coisas nos olhos do bebê, inclusive uma vez chegou a dar-lhe um pontapé. Felizmente isto não durou muito e logo ela se sentiu feliz por ser a mais velha. Os primeiros 4 anos de Ana foram difíceis: era muito difícil de controlar. Mas logo ela haveria de mudar.
     Em setembro de 1913 Madalena nasceu e em janeiro de 1915 Maria Antonieta. Ana era a madrinha de Maria Antonieta, que era chamada por todos de Marinete. Quando Ana tinha 3 ½ começou a guerra entre a França e a Alemanha, e seu pai foi enviado para o front. Um mês depois ele volta ao lar após grave ferimento. Ana, que amava imensamente seu pai, começou a cuidar dele trazendo-lhe livros e ajeitando as cobertas. Após nova ida para o front, ele é ferido ainda mais do que anteriormente. A Sra. Guigné vai visita-lo no hospital de Lyons levando Ana; a menina ficou comovida quando a mãe mostrou-lhe os soldados feridos.
     Em 3 de maio, sentindo-se melhor, o Conde partiu novamente para o front. Na Alsácia, em 22 de julho de 1915, de Guigné, após receber a absolvição, liderou o ataque com seu homens. Com um grande sinal da cruz o Conde foi morto. A notícia de sua morte foi dada a Sra. Guigné em 28 de julho.
     Naquela manhã a provada viúva conta para Ana que seu pai morrera. Chorando, ela disse para Ana: “Se você deseja me consolar, você precisa ser boazinha”. Olhando longa e pensativamente os olhos de sua mãe, a menina compreendeu que para agradar a Deus ela precisava ser boa e Ana resolveu ser boa para agradar sua mãe. O dia todo Ana ficou pensativa, tentando fazer as outras crianças se comportarem. “Você precisa ser bom, Jojo, porque a mamãe está triste”. Daí em diante não houve mais cenas temperamentais nem egoísmos. Mas esta grande mudança não foi fácil para Ana; embora ninguém adivinhasse a batalha diária com ela mesma, ela lutou.
     Quando Ana tinha 4 anos, ela estava caminhando com seu avô e eles passaram por uma armazém de trigo. Seu avô perguntou: “Ana, você sabe o que se faz com o trigo?” Ana respondeu: “Não, vovô”. “O fazendeiro apanha o trigo e então o moi e faz a farinha para nós. Nós usamos essa farinha para fazer pão e também as Hóstias que o padre nos dá na Missa. Você sabe o que a Hóstia se torna?” Ana respondeu: “O Pequeno Jesus vem e se esconde na Hóstia branca, que se torna Jesus”.    
     Um mês antes de seu pai falecer, Ana mencionara o desejo de se preparar para a 1ª Comunhão. No outono de 1915, a Sra. Guigné colocou-a na aula de catecismo dada por Madre São Raimundo no Convento Auxiliadora. A Madre São Raimundo percebeu que Ana, embora fosse uma criança de apenas 5 anos, era mais adiantada do que dos restantes alunos. “Eu logo vi que Ana era uma criança privilegiada; mas o que mais me causou admiração foi isto: os outros não tinham ciúmes dela, embora ela fosse mais inteligente do que qualquer um deles e a mais nova. Todos a amavam e a admiravam. Eu penso que é porque ela nunca tentou se exibir ou se fazer de melhor do que ninguém. Ela era gentil tanto com as crianças mais mimadas quanto com as que se comportavam bem”.
     A 1ª Comunhão foi para ela um farol que iluminou o resto da sua vida. Devido sua tenra idade (6 anos) necessitou uma licença especial; foi admitida ao sacramento após um minucioso exame que levou o padre inquiridor a confessar: “Não somente está pronta como desejo que vós e eu estejamos sempre ao nível de instrução desta menina”.
     Em 26 de março de 1917 Ana fez a 1a. Comunhão; era uma segunda-feira da semana da Paixão e festa de Nossa Senhora da Assunção, que fora transferida para este dia porque o dia 25 caíra no Sábado da Paixão. No grande dia festivo, Ana deixou um bilhete sobre o altar: “Meu pequeno Jesus, amo-Vos e, para Vos agradar, tomo a resolução de obedecer sempre!” Assim prometeu, assim fez…
     Ana tinha grande devoção a Nossa Senhora das Dores porque Ela era “Nossa Senhora da Consolação”. Este título ela deu a uma pequena imagem que havia no jardim, junto à qual as crianças brincavam. Ali ela ia para pedir ajuda quando o auto controle se tornava mais difícil.
     Aos 10 anos ela resolveu imitar Nosso Senhor em tudo: “Como eu farei isto? Combatendo todos os obstáculos que impedir Jesus de crescer em mim: minhas faltas, meu amor próprio, minha preguiça... Isto deverá ser um combate diário”. Ela fez estas três resoluções: “Eu preciso ter: 1) limpeza (de alma); 2) roupas apropriadas; 3) ornamentos – as boas ações”.
     Ana escreveu: “Minha alma destina-se ao Paraíso. As pessoas estão muito preocupadas com sua aparência exterior e dificilmente com suas almas... Minha alma foi feita para a vida eterna, para infinitamente feliz ou infinitamente infeliz. O Bom Deus deseja que ela seja eternamente feliz. Isto depende somente de mim. Mamãe não pode fazer este trabalho para mim”.
     Certa vez um incêndio destruiu um casa pobre próxima e Ana, ouvindo que a viúva e as crianças ficaram sem lar, pediu a sua mãe se eles podiam fazer um bazar. As quatro crianças prepararam um “chá” que foi “servido” para clientes como a mãe, o avô e tia Paula, que ficaram contentes de pagar um montante que as crianças logo encaminharam para a família da viúva.
     Em novembro de 1919, Ana escorregou no gelo e feriu um músculo de seu joelho. Ela ficou bastante machucada e tentava se erguer; sua mãe correu para ajudá-la, mas embora tivesse lágrimas nos olhos, não soltou um gemido. “Sinto muito por tê-la assustado, mamãe. Eu estou bem. Não é nada”. Um ano depois de ferir seu joelho ela começou a ter muita dor de cabeça. Para não chamar a atenção para suas terríveis dores de cabeça, Ana continuou a fazer os seus trabalhos escolares e outras atividades, mas finalmente algo chamou a atenção de Madre São Raimundo, que perguntou se Ana tinha dores de cabeça, ao que ela respondeu afirmativamente. 
     Ana pacientemente oferecia todos estes sofrimentos sem reclamar. A alguém que lhe disse: “Pobre Ana, você sofre corajosamente”, ela respondeu: “Oh não, eu não estou sofrendo; eu estou apenas aprendendo a sofrer”.
     Em dezembro de 1921 as dores de cabeça retornaram, mas o médico não pensou ser nada alarmante, pois ela não parecia pior, apenas um pouco mais calma do que o costume. Mas em 19 de dezembro de 1921, as dores de cabeça se tornaram tão severas, que ela foi levada para seu quarto. O médico continuou pensando que não era nada sério até que em 27 de dezembro, quando ele viu que Ana estava em coma concluiu que ela tinha meningite.
     Pela tarde ela recobrou a consciência, mas a terrível dor de cabeça, a febre e a dor nas costas faziam sua face se contorcer devida a dor. Ela resolveu: “Eu desejo oferecer meus sofrimentos como Jesus fez na Crus”. Com uma incrível fortaleza, ela nunca reclamava ou chorava. “Você está consolando Jesus e convertendo pecadores”, sua mãe lhe recordava. Ela respondeu: “Bem, então, se é assim, desejo sofrer ainda mais”. Ela foi ouvida dizer certa vez “O, querido Deus, eu estou muito mal!” Uma vez, quando ela estava delirando, ouviram-na gritar: “Eu fui fiel, Jesus? Pequeno Jesus, tenho medo de não ter sido valente. Eu não rezei o suficiente. Querida Santa Ana, tem piedade de meus pecados”.
     Aproximando sua morte, Ana nunca falava de sua morte próxima diante de sua mãe, para não causar sofrimento a ela.  Ana sempre agradecia aquele que tinha feito alguma coisa para ela. Quando o confessor vinha ouvi-la em confissão e lhe dava a comunhão, antes do padre deixar o quarto, ela o chamava e lhe agradecia.
     No dia 30 de dezembro, Ana recebeu a Extrema Unção. No Dia do Ano Novo ela parecia estar se sentido melhor. Mas dois depois o médico constatou que os músculos do peito estavam paralisados e Ana teria ataques de sufocação que duraria horas. Por duas semanas ela sofreu desta maneira e na noite de 13 de janeiro Ana pergunta a sua tia, que era religiosa: “Irmã, posso ir com os anjos?” “Sim, minha querida criança”. “Obrigada, Irmã. Oh obrigada!”. Às 5:25 do sábado, 14 de janeiro de 1922, Ana olhando obedientemente pela última vez para sua mãe, faleceu.
      Esta pequena menina é uma “santa”, é o veredito geral. A sua professora deixou o seguinte testemunho: “Foi ela que me ensinou o que é amar Deus”.  Os testemunhos abundam, artigos são publicados e o bispo de Annecy inicia em 1932 o processo de beatificação.

     Os estudos conduzidos em Roma sobre a possibilidade da heroicidade das virtudes da infância foram concluídos positivamente em 1981 e a 3 de março de 1990 o decreto reconhecendo a heroicidade das virtudes de Ana de Guigné e declarando-a venerável era assinado pelo papa João Paulo II e indicou-a como exemplo para todas as crianças e não só elas.
Ana aos 9 anos, imagem da inocência